Futuro da mobilidade urbana cabe em veículos leves

Grace Westmere
4 Min de leitura
Fredy da Silva Gonçalves Bento

À medida que as cidades brasileiras enfrentam congestionamentos, custos crescentes de combustível e busca por alternativas menos poluentes, Fredy da Silva Gonçalves Bento, CEO da Litoral Mobilidade, vê os veículos elétricos de pequeno porte ganharem espaço no cotidiano. Motos elétricas, scooters elétricas e bicicletas elétricas passaram a ocupar ruas antes dominadas por carros e motocicletas a combustão. O futuro da mobilidade urbana, nesse cenário, tende a ser construído a partir de soluções compactas, acessíveis e adaptadas a deslocamentos curtos.

Deslocamentos curtos, soluções compactas

Boa parte dos trajetos realizados nas cidades envolve distâncias relativamente pequenas, como ir ao trabalho, à escola, ao comércio do bairro ou fazer entregas. Para esses percursos, um automóvel costuma ser desproporcional em tamanho, custo e consumo de espaço urbano. Os veículos elétricos leves oferecem uma alternativa prática, com manutenção mais simples, facilidade de estacionamento e recarga em tomada comum, o que amplia seu apelo para trabalhadores, estudantes e profissionais de entrega.

De acordo com Fredy da Silva Gonçalves Bento, o perfil do consumidor de mobilidade elétrica mudou nos últimos anos, deixando de ser restrito a entusiastas de tecnologia e alcançando quem busca economia no dia a dia. O próprio segmento de veículos elétricos leves, que reúne motos, scooters e bicicletas elétricas, já contempla necessidades bastante distintas, do deslocamento diário ao trabalho de entrega. A diversidade de perfis indica que a mobilidade elétrica começa a se consolidar como escolha cotidiana, e não apenas como novidade.

Sustentabilidade além do discurso

A redução de emissões é um dos argumentos mais citados em favor dos veículos elétricos, mas a sustentabilidade envolve também a durabilidade dos produtos e o destino das baterias ao fim da vida útil. Um veículo que apresenta defeitos frequentes ou que precisa ser substituído em pouco tempo gera desperdício e anula parte dos benefícios ambientais. Por essa razão, qualidade de fabricação, manutenção adequada e disponibilidade de peças fazem parte da equação ambiental tanto quanto o tipo de energia utilizada.

Fredy da Silva Gonçalves Bento projeta a sustentabilidade do setor como resultado de escolhas feitas em toda a cadeia, da importação ao pós-venda. A estrutura de assistência técnica da Litoral Mobilidade prolonga a vida útil dos veículos, enquanto a seleção de fornecedores com padrão de qualidade reduz a necessidade de trocas precoces. A preocupação ambiental, nessa lógica, se traduz em práticas operacionais concretas, mais do que em mensagens publicitárias sobre energia limpa.

Infraestrutura urbana ainda é o gargalo?

O avanço dos veículos elétricos leves esbarra, em muitas cidades, em limitações de infraestrutura. Ciclovias descontínuas, falta de vagas específicas e pouca clareza nas regras de circulação para cada categoria de veículo geram insegurança para quem decide trocar o carro ou a moto convencional. A regulamentação sobre equipamentos de mobilidade individual também tem passado por ajustes, o que exige atenção de consumidores e lojistas para garantir o uso adequado de cada modelo.

Na interpretação de Fredy da Silva Gonçalves Bento, o crescimento do mercado deve estimular o poder público e a iniciativa privada a avançar juntos na adaptação das cidades. O litoral paulista, com relevo majoritariamente plano e clima favorável, oferece condições propícias para a expansão desse tipo de mobilidade. A experiência acumulada na região pode servir de referência para outras localidades, sobretudo à medida que a franquia de mobilidade elétrica leve o modelo a novos mercados.

Compartilhe este artigo